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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Alergia ao látex em paciente com síndrome de Kabuki. Relato de caso

RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O conhecimento do profissional de Anestesiologia sobre aspectos específicos de pacientes portadores de síndromes raras é uma necessidade crescente, já que cada vez mais esses pacientes são levados aos centros cirúrgicos. O objetivo é descrever um caso de alergia ao látex ocorrido em um desses pacientes com diagnóstico da Síndrome de Kabuki, cujos aspectos ainda não foram completamente esclarecidos, alertando os anestesiologistas quanto à possibilidade dessa associação.
RELATO DO CASO: Paciente de 11 anos com diagnóstico de Síndrome de Kabuki foi admitida para exérese de lesões de partes moles. Apresentava histórico de reações alérgicas prévias após procedimentos cirúrgicos de pequeno porte. Com a necessidade da realização de um novo procedimento, após avaliação pré-anestésica, foi encaminhada a um alergologista, que a submeteu a testes cutâneos que confirmaram a hipótese de alergia ao látex. Foi levada mais uma vez ao centro cirúrgico para exérese das lesões, sob anestesia geral. Foram tomadas todas as precauções, com o objetivo de evitar novas manifestações clínicas. O procedimento transcorreu sem intercorrências e a paciente recebeu alta no mesmo dia, sem apresentar qualquer tipo de complicação, o que reforçou ainda mais o diagnóstico.
CONCLUSÕES: A Síndrome de Kabuki parece ter um curso relativamente benigno em sua história natural. Entretanto, há muitos aspectos ainda a serem esclarecidos e, portanto, não se descarta a possibilidade da associação dessa patologia com outras condições que interessam ao anestesiologista. Essa descrição tem por objetivo alertar quanto ao risco da associação dessa síndrome com a alergia ao látex. Para tanto, deve-se incentivar, na avaliação pré-anestésica desses pacientes, a realização de uma anamnese bem feita, com a análise de outros fatores predisponentes que não a síndrome per se.

Unitermos: ANESTESIA, Geral; AVALIAÇÃO: pré-anestésica; DOENÇAS, Genética: síndrome de Kabuki; COMPLICAÇÕES: alergia ao látex.

INTRODUÇÃO

A Síndrome de Kabuki (SK) é incomum e, como tal, pouco esclarecida em face da escassez de dados na literatura mundial e do desconhecimento de todos os seus aspectos. Descrita inicialmente por dois grupos japoneses em 1981, Nikawa e col. 1 e Kuroki e col. 2, imaginou-se que se tratava de condição mais comum naquela população. Entretanto, o que se verificou a partir de então, com a disseminação da informação ao redor do mundo, foi o relato crescente de novos casos nos mais variados países e grupos étnicos, incluindo Brasil, Europa, Filipinas, Vietnã, Índia e México, entre outros, o que confirma que a patologia não está restrita a grupos populacionais específicos.

O termo Kabuki foi utilizado por Nikawa e col., 1 sob a alegação de que as alterações faciais típicas encontradas nos pacientes os assemelhavam à maquiagem dos atores da tradicional peça de teatro japonesa que leva o mesmo nome. Naquela população, a prevalência foi estimada em 1/32.000 3 e acredita-se que a tendência é que esse número reflita mais apropriadamente a realidade mundial, considerando que o maior conhecimento da doença pela comunidade médica elevará o número de casos diagnosticados 4.

Atualmente, ainda não há consenso quanto aos critérios diagnósticos, muito menos um teste genético clinicamente disponível que leve ao diagnóstico definitivo da doença. Trabalho publicado por Nikawa em 1988 3, que avaliou características em comum de 62 pacientes com a síndrome, definiu cinco manifestações clínicas principais. A primeira delas, e com certeza a mais frequente (encontrada em 100% dos casos), é a fácies típica, caracterizada por eversão da porção inferior e lateral das pálpebras inferiores, sobrancelhas arqueadas mostrando a parte lateral com poucos pelos, ponta do nariz achatada e orelhas proeminentes. Seguem-se alterações esqueléticas, baixa estatura e alterações dermatoglíficas.

Alguns trabalhos relatam que a origem racial tem pouca influência na manifestação fenotípica da doença, principalmente quando tratamos dos aspectos da face, o que torna essa característica marcadamente importante. Kawame e col. 5 sugerem como critérios diagnósticos mínimos fissuras palpebrais longas com eversão da porção lateral das pálpebras inferiores, sobrancelhas grossas, arqueadas e com rarefação dos pelos lateralmente, orelhas proeminentes, atraso do desenvolvimento e retardo mental. Embora não exista consenso quanto aos critérios, o diagnóstico é, portanto, clínico e passa pelos achados descritos.

Pacientes acometidos podem apresentar as mais variadas alterações em órgãos e sistemas de maneira pouco específica. É possível encontrar alterações cardíacas, renais e geniturinárias, gastrintestinais, neurológicas, respiratórias e imunológicas. O diagnóstico diferencial da síndrome é feito com outras síndromes genéticas raras e envolve traços menos comuns na primeira. Citam-se como exemplos a síndrome de deleção do 22q11 (Síndrome de DiGeorge), cujos aspectos como, por exemplo, fenda palatina, malformações cardíacas e renais podem, também, ser encontrados nos pacientes com Kabuki. À outra síndrome, a de van der Voude, uma condição dominante autossômica em que fendas palatina e labial e hipodontia são frequentes, aplica-se o mesmo raciocínio. Ambas têm alterações genéticas específicas não encontradas na Síndrome de Kabuki.

A causa da doença permanece desconhecida. Numerosas alterações citogenéticas já foram descritas, incluindo duplicação do 1p [dup(1)(p13.1p22.1)], uma translocação hereditária entre os cromossomos 3 e 10 [t(3;10)(p25;p15)], uma inversão paracêntrica hereditária do braço curto do cromossomo 4 [inv(4)(p12pter)], uma monossomia parcial 6q com trissomia parcial 12q [der(6)t(6;12)(q25.3;q24.31)], entre outras 4. A alteração que mais aparece, entretanto, está relacionada ao cromossomo X e alguns autores como Milunsky e col. sentem que essa duplicação pode representar um aspecto em comum entre os casos.

Apenas há pouco tempo a Síndrome de Kabuki foi reconhecida como uma síndrome genética. Esse fato nos leva a concluir que temos pouco a dizer com relação à história natural dessa condição. Controvérsias a respeito das manifestações fenotípicas, do tempo do seu aparecimento e do momento em que se tornam mais evidentes geram dificuldades no diagnóstico, o que configuraria o registro apenas daqueles casos mais evidentes. Entretanto, como a patologia não está fortemente associada a qualquer condição clínica mais séria, presume-se que a evolução ao longo do tempo é relativamente benigna, em especial se alterações cardíacas e as infecções às quais os pacientes estão expostos forem adequadamente identificadas e tratadas.

Diante do exposto, principalmente no que se refere à necessidade de divulgação de mais dados a respeito dessa doença, o objetivo do presente é de descrever o caso de uma paciente com Kabuki e diagnóstico de alergia ao látex, que foi submetida a um procedimento cirúrgico. Fazemos também uma análise crítica a respeito do diagnóstico da alergia e dos métodos empregados em seu diagnóstico. Devemos assinalar que não encontramos nas bases de dados consultadas qualquer caso dessa natureza descrito.



RELATO DO CASO

Paciente do sexo feminino, 11 anos, 40 kg, diagnóstico de Síndrome de Kabuki, fácies típica (Figuras 1 e 2 - fotos realizadas com a autorização dos responsáveis) e história de atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, otites e infecções do trato urinário (ITU) de repetição, as últimas em decorrência de refluxo vesicureteral, sem acometimento de outros órgãos e sistemas.











Já havia sido submetida a dois procedimentos cirúrgicos durante os quais apresentou reações alérgicas sem definição do agente causal, com manifestações clínicas diversas. O primeiro procedimento, cuja duração foi curta, consistiu na retirada de um tumor benigno de crescimendrome de Kabuki, fácies típica (Figuras 1 e 2 - fotos realizadas to progressivo no dorso quando a paciente tinha 5 anos. A paciente foi submetida à anestesia geral. Na indução, apresentou broncoespasmo leve e rash cutâneo, que não interferiram no manejo perioperatório. A intubação fora feita sem dificuldades. Já na sala de recuperação, após ter sido extubada sem problemas, necessitou da utilização de micronebulização com adrenalina (meia ampola), dexametasona (10 mg) e SF 0,9% 2 mL em decorrência de rouquidão, obtendo melhora. Ainda no pós-operatório, já na enfermaria, apresentou três episódios de vômitos, sendo medicada com metoclopramida 0,7 mL EV. Recebeu alta na manhã seguinte, após ter permanecido o restante do período de internação sem queixas.



Após o ocorrido, os pais foram orientados a encaminhar a paciente a um alergologista, munidos de informações por escrito das drogas utilizadas na anestesia. Após avaliação, recebemos um relatório de que não haveria possibilidade de identificação de agente causal, já que na época os testes imunológicos para rastreamento de alergias não estavam disponíveis em nosso meio e testes de provocação colocariam a criança em risco no consultório.

A segunda cirurgia foi realizada cerca de 2 anos após e também foi indicada para exérese de lesões subcutâneas. Mais uma vez, procedeu-se à anestesia geral e o ato anestésico-cirúrgico transcorreu sem intercorrências. A paciente recebeu alta hospitalar e, já em casa, os pais notaram o aparecimento de edema em face e dispneia na criança. De imediato, encaminharam-se ao hospital, onde a criança recebeu tratamento bem-sucedido para uma provável reação alérgica, caracterizada por angioedema.

Diante de nova indicação para a retirada de lesões de pele e subcutâneas, a paciente foi encaminhada para avaliação préanestésica quando, então, o anestesiologista novamente (6 anos depois) a encaminhou para avaliação com alergologista, entregando à mãe uma lista com os medicamentos utilizados nos procedimentos anteriores, para que pudessem ser testados.

A avaliação foi realizada e os testes cutâneos com substâncias do grupo resina-epóxi foram positivos. Dentre as substâncias citadas como as que não poderiam entrar em contato com a paciente, estavam aquelas contendo látex. A paciente, portanto, foi mais uma vez levada ao centro cirúrgico, onde foram tomadas todas as precauções, visando evitar contato com materiais contendo essa substância, segundo protocolo hospitalar. Recebeu dose de midazolam por via oral cerca de 30 minutos antes de ser encaminhada à sala de cirurgia, com o ambiente isento de látex. Lá, recebeu indução inalatória com sevoflurano. Após, foi puncionado acesso venoso periférico 20 G, seguido da administração de 10 µg de sufentanil para que se procedesse à intubação traqueal, que foi realizada com tubo traqueal número 6 com balonete.

A paciente foi monitorada com eletrocardiografia, oximetria de pulso, pressão arterial não invasiva e capnografia. A manutenção foi realizada com sevoflurano a aproximadamente 1CAM. Recebeu ainda 1 g de dipirona. Foram retiradas três lesões, sob anestesia geral, tendo o ato ocorrido sem intercorrências, com a duração de 40 minutos. Foi extubada e recuperada na sala de cirurgia, onde não apresentou complicações. O quarto da criança também foi descontaminado para o látex. No mesmo dia, a paciente estava em casa e não apresentou quaisquer sintomas.



DISCUSSÃO

A anestesia de pacientes com síndromes raras sempre gera certa ansiedade. Nesse caso específico, o relato de alergia ao látex nos obrigou a tomar cuidados adicionais. A paciente tinha a fácies típica da síndrome e outros aspectos comuns a essa doença, como, por exemplo, orelhas proeminentes e arqueadas, sobrancelhas arqueadas com rarefação dos pelos em sua porção lateral e dedos em baqueta. Apresentava leve atraso de desenvolvimento psicomotor e tinha o histórico de infecções de repetição (otites e ITU), o que também reforça o diagnóstico, uma vez que esse tipo de paciente pode apresentar alterações imunológicas que o predispõem a quadros infecciosos.

Os casos de alergia ao látex têm-se tornado cada vez mais comuns 7. A introdução do uso de medidas de precaução universal, que incluem a utilização de luvas contendo esse material, contribui sobremaneira nesse sentido e, a cada dia, não só pacientes como também profissionais de saúde têm recebido esse diagnóstico. Seu espectro de manifestações é extremamente amplo, indo de um simples rash cutâneo até choque anafilático.

O diagnóstico é dado pela coleta de uma anamnese detalhada em questionários específicos e pela utilização de testes laboratoriais in vivo e in vitro 8,9. No caso específico, a paciente tinha um histórico que dava margem à suspeita de alergia dessa natureza. Já fora submetida a dois procedimentos sem cuidados que evitassem o contato com substâncias contendo látex e apresentava sintomatologia típica de reações alérgicas.

As reações alérgicas desse tipo pressupõem, necessariamente, o contato prévio com a substância suspeita e, embora não houvesse nada de concreto na história da paciente anterior à primeira reação, provavelmente ela já havia entrado em contato com substâncias contendo látex em outras circunstâncias sem que tivesse apresentado algum tipo de problema. Essa situação está prevista e é descrita como sensibilização. Esse processo não deflagra um quadro clinicamente manifesto e é definido pela presença de anticorpos do tipo imunoglobulina E (IgE) contra o látex. Já a alergia a essa substância diz respeito a qualquer reação imunomediada associada a sintomas clínicos que incluem a reação de hipersensibilidade do tipo 1 e tipo 4 10.

Devemos ressaltar que uma das manifestações geradas pelo látex é a dermatite de contato irritativa que, por definição, não constitui reação alérgica genuína por não ter um mecanismo imunológico envolvido. São as mais comuns. As reações de hipersensibilidade do tipo 4 são caracteristicamente mais tardias, não geram acometimento sistêmico e respondem por alterações dermatológicas. As reações do tipo 1 ou imediatas são as que levantam maior preocupação, pois podem apresentar-se com gravidade. O paciente deve estar sensibilizado à substância. IgE específicas, produzidas sob o estímulo de um contato anterior, estão ligadas à membrana de mastócitos e basófilos. Em um novo contato com o antígeno, sua interação com essas imunoglobulinas ligadas deflagra todo o processo de degranulação dessas células, com a liberação de mediadores inflamatórios (histamina, leucotrienos, entre outros). Os casos de reação ao látex em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos ocorrem em um intervalo que varia de 30-60 minutos após a indução, o que pode ajudar a diferençar reações às drogas que, habitualmente, ocorrem poucos minutos após o contato 8,9.

A paciente trazia consigo o relato de duas reações prévias em procedimentos diferentes. A primeira ocorreu logo após a indução, manifestada por sintomas respiratórios e rash cutâneo, e persistiu no período de observação com melhora após a instituição da terapêutica. Essa reação tem um comportamento nitidamente compatível com o tipo 1. No segundo procedimento, já em casa, a paciente iniciou um novo quadro com traços de reação alérgica, mais uma vez com características de reação do tipo I, já com muitas horas da cirurgia, o que nos leva a crer que tenha sido reexposta ao antígeno responsável, situação perfeitamente possível quando pensamos em látex e menos provável quando pensamos em algum tipo de medicamento.

Com esse histórico, antes do último procedimento relatado, decidimos encaminhá-la a uma segunda avaliação com um especialista. O diagnóstico foi realizado com testes cutâneos, que mostraram positividade para substâncias do grupo resina-epóxi. Habitualmente, testes dessa natureza são utilizados para diagnóstico de reações do tipo 4, enquanto as reações do tipo 1 são investigadas por testes sorológicos, pouco disponíveis em nosso meio. Diante do diagnóstico, tomamos todos os cuidados visando minimizar ao máximo o contato dessa paciente com a substância em questão, estratégia que comprovadamente foi bem-sucedida e reforçou nossa suspeita diagnóstica. O protocolo dessa instituição hospitalar, implantado há alguns anos, prevê precaução para o contato com o látex durante toda a permanência do paciente no hospital. Já na marcação da cirurgia, algumas providências são tomadas no sentido de que os ambientes preparados para o paciente estejam isentos de látex.

Por fim, a síndrome de Kabuki ainda merece melhor entendimento. A cada dia, mais casos são descritos na literatura, o que aumenta nossa compreensão a respeito do assunto. O caso relatado vem para reforçar essa tendência e despertar o profissional de Anestesiologia para a possibilidade de associação da Síndrome de Kabuki com quadros alérgicos, colocando em discussão, de maneira breve, aspectos relacionados ao manejo de pacientes com alergia a látex.



REFERÊNCIAS

01. Niikawa N, Matsuura N, Fukushima Y et al. - Kabuki make-up syndrome: a syndrome of mental retardation, unusual facies, large andprotruding ears, and postnatal growth deficiency. J Pediatr, 1981;99:565-569. [ Links ]

02. Kuroki Y, Suzuki Y, Chyo H et al. - A new malformation syndrome of long palpebral fissures, large ears, depressed nasal tip, and skeletal anomalies associated with postnataldwarfism and mental retardation. J Pediatr, 1981;99:570-573. [ Links ]

03. Niikawa N, Kuroki Y, Kajii T et al. - Kabuki make-up (Niikawa-Kuroki) syndrome: a study of 62 patients. Am J Med Genet, 1988; 31: 565-589. [ Links ]

04. Adam MP, Hudgins L - Kabuki syndrome: a review. Clin Genet, 2004; 67:209-219. [ Links ]

05. Kawame H, Hannibal C, Hudgins L et al. - Phenotypic spectrum and management issues in Kabuki syndrome. J Pediatr, 1999;134: 480-485. [ Links ]

06. Milunsky JM, Huang JM. - Unmasking Kabuki syndrome: chromosome 8p22-8p23.1 duplication revealed by comparative genomic hybridization and BAC-FISH. Clin Genet, 2003;64:509-516. [ Links ]

07. Lebenbom-Mansour M, Oesterle JR, Ownby DR et al. - The incidence of latex sensitivity in ambulatory surgical patients: a correlation of historical factors with positive serum immunoglobin E levels. Anesth Analg, 1997;85:44-49. [ Links ]

08. Allarcon JB, Malito M, Linde H - et al Alergia ao látex. Rev. Bras. Anestesiol, 2003;53:89-96. [ Links ]

09. Hepner DL, Castells MC - Latex allergy: an update. Anesth Analg, 2003;96:1219-1229. [ Links ]

10. Sussman G, Talo S, Dolovich J - The spectrum of IgE-mediated responses to latex. JAMA, 1991;265:2844-2847. [ Links ]





Endereço para correspondência:
Dra. Vera Coelho Teixeira
Alameda Serra da Mantiqueira 478- Vila del Rey
34000-000 - Nova Lima, MG, Brasil
E-mail: verateixeira@yahoo.com.br

Submetido em 20 de janeiro de 2010
Aprovado para publicação em 24 de maio de 2010





Recebido do Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte - Minas Gerais.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-70942010000500011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


Projecto 1000 Genomas

Há um novo mapa da variabilidade genética humana

02.02.2011 - 18:32 Por Ana Gerschenfeld
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 No mês em que a sequenciação do primeiro rascunho do primeiro genoma humano faz dez anos, uma equipa internacional de cientistas apresenta amanhã, na revista "Nature", um “mapa” da variabilidade genética humana muito mais detalhado do que tudo o que existia até aqui.
Fragmentos de ADN apagados, duplicados ou virados ao contrário fazem variar a estrutura do genoma humanoFragmentos de ADN apagados, duplicados ou virados ao contrário fazem variar a estrutura do genoma humano (DR)
Desde 2001 que o estudo da nossa variabilidade genética — e em particular das diferenças que tornam alguns de nós mais susceptíveis a certas doenças do que outros — se baseava na análise de mutações genéticas pontuais ou SNP (single-nucleotide polymorphism). O método generalizou-se de tal forma, devido aos avanços técnicos da sequenciação genética, que hoje em dia muitas empresas propõem a quem quiser, por umas centenas de euros, a leitura de um conjunto de um milhão dos seus SNP.

Mas os SNP não explicam tudo e, já há uns anos, começou-se a perceber que, além de mutações pontuais, o genoma encerra muita variabilidade estrutural: fragmentos de ADN apagados, duplicados, inseridos ou virados ao contrário no meio da cadeia de três mil milhões de letras do ADN humano. O novo “mapa” agora apresentado pela equipa de Jan Korbel, do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL) de Heidelberg, e por cientistas de Harvard, do Instituto Sanger (Reino Unido) e da Universidade de Washington, é o primeiro catálogo de todos estes tipos de variações.

Os cientistas analisaram 185 genomas humanos sequenciados no âmbito do Projecto 1000 Genomas (colaboração internacional lançada em 2008) e identificaram as sequências de 28 mil variantes estruturais (SV), grandes nacos de genoma que variam de uma pessoa para outra. “Conhecermos a sequência genética exacta das SV e o seu contexto no genoma poderá ajudar-nos a encontrar as causas genéticas de doenças até agora inexplicadas”, diz Korbel em comunicado.

O novo mapa também permite perceber melhor por que certas regiões do genoma são mais propensas do que outras às mutações. “Descobrimos 51 locais onde certas variantes estruturais se verificam com particular frequência”, salienta Korbel. “E seis deles ficam em regiões que se sabe estarem associadas a doenças genéticas como a síndrome de Miller-Dieker, uma doença congénita cerebral que pode conduzir à morte no primeiro ano de vida.”

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Manifestações bucais em pacientes com Síndrome de Kabuki

Autor(es): Sobral, Samantha do Prado
Orientador(es): Mestrinho, Heliana Dantas
Assunto: Sindrome de Kabuki
Anomalia dentária
Anomalia craniofacial
Data de publicação: 28-Jan-2011
Referência: SOBRAL, Samantha do Prado. Manifestações bucais em pacientes com Síndrome de Kabuki. 2010. 84 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde)-Universidade de Brasília, Brasília, 2010.
Resumo: A Síndrome de Kabuki (KS, Síndrome da maquiagem de Kabuki, Síndrome de Niikawa-Kuroki) é uma desordem genética rara caracterizada por múltiplas anomalias congênitas e deficiência cognitiva. O diagnóstico é clínico e baseado nos achados descritos simultaneamente em estudos independentes de dois grupos no Japão. A amostra foi composta por 16 indivíduos com KS, diagnosticados pelo Serviço de Genética Clínica do Hospital Universitário de Brasília, Brasília, Brasil, com idades compreendidas entre oito e 24 anos de ambos os gêneros. Cada indivíduo foi submetido a exames clínico, radiográfico e a fotografias intra e extrabucais. Anomalias craniofaciais e dentárias foram observadas em todos os indivíduos examinados. Sete dos 16 indivíduos tinham maloclusão classe III de Angle, provavelmente devido à recessão maxilar e hipoplasia do terço médio da face. Palato profundo foi observado em doze indivíduos e aplainamento condilar em dois pacientes. Dentre as anomalias dentárias a mais observada foi a anomalia de forma, principalmente incisivos em chave de fenda. Forma atípica da coroa de premolares e molares e dilaceração radicular também foram relatadas. Hipodontia e microdontia foram diagnosticados em nove e quatro indivíduos, respectivamente. Opacidades difusas foram verificadas na dentição permanente (n=10). Grande heterogeneidade das manifestações clínicas foi observada nos indivíduos com KS examinados em concordância com a literatura. Anomalias não descritas previamente foram observadas nesta amostra, tais como anomalias de forma de coroa dentária, anomalias de forma da raiz, aplainamento condilar e fibrose da rafe palatina. Mais estudos clínicos e moleculares são necessários para melhor compreender as anomalias craniofaciais e dentárias descritas nesta síndrome.  

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cientistas decifram o código genético para meduloblastoma pediátrica



Para o estudo, cientistas seqüenciaram quase todos os genes que codificam as proteínas em 22 amostras de meduloblastoma, pediátrica e comparação dessas seqüências com o DNA normal de cada paciente para identificar mudanças específicas do tumor ou mutações. Cada amostra de tumor tinham uma média de 11 mutações. Havia 225 mutações em todos.
Em seguida, os investigadores procurou através de um segundo conjunto de 66 meduloblastomas, incluindo algumas amostras de adultos, para saber como estas mutações alteraram as proteínas produzidas pelos genes.
A equipe descobriu que a maioria das mutações se reúnem dentro de uma família de genes ou poucos caminhos. O caminho mais prevalente ordenou a forma longas cadeias de DNA, que compõe os cromossomos, são torcidos e moldado em pacotes densos que abrem e fecham dependendo de quando genes devem ser ativados. Esse processo é regulado por substâncias químicas que operam fora de genes, denominados "epigenéticos" pelos cientistas.
Dentro do caminho epigenético, dois genes mutantes foram comumente ambos envolvidos na forma como as moléculas chamadas histonas envoltório em torno do DNA.
"Estas mudanças epigenéticas podem ser mais importantes do que nós pensamos no câncer infantil", diz Will Parsons, MD, Ph.D., anteriormente, da Johns Hopkins e agora um professor adjunto no Texas Children's Cancer Center e do Baylor College of Medicine.
Mutações no MLL2 e MLL3 foram identificados em 16 por cento de todo o conjunto de 88 amostras de meduloblastoma. Adicione a isso outros três alterações epigenéticas encontrado pelos cientistas na análise do genoma, e as contas para o conjunto total de 20 por cento das mutações em todas as amostras de câncer de cérebro.
Segundo a vias epigenéticas eram mutações genéticas em vias como a Hedgehog e Wnt que o tecido de controle e desenvolvimento de órgãos em humanos e outros animais. Ambas as vias já foram ligados ao meduloblastoma na infância.
Câncer é a principal causa de morte por doença em crianças os EUA, e mais crianças morrem de tumores cerebrais do que qualquer outro tipo de câncer. O meduloblastoma é o tumor cerebral maligno mais comum em crianças, ocorrendo em cerca de 400 crianças por ano em os EUA
"É um desafio particular para o tratamento de crianças com câncer no cérebro", diz Parsons, "porque os nossos tratamentos mais eficazes, a cirurgia ea radioterapia, podem causar efeitos colaterais significativos, incluindo deficiências cognitivas e alterações hormonais. Para os nossos pacientes mais jovens, os efeitos podem ser potencialmente devastadoras. "
Contudo, Parsons é encorajada pelos resultados do estudo. "Como oncologistas, estamos trabalhando para entender como determinadas mudanças genéticas encontradas nos cânceres de pacientes devem orientar seu tratamento. Qualquer informação que nos permite compreender o prognóstico de um paciente ou dá pistas sobre as terapias que poderiam funcionar melhor em um paciente é fundamental e vai nos ajudam a fornecer melhor atendimento. "
Fonte: Johns Hopkins Kimmel Cancer Center

O meduloblastoma tem também algo haver com síndrome de kabuki? Pois um dos genes identificados é o mesmo da Síndrome de Kabuki, o MLL2, nos aprofundaremos mais nessa questão.

Fonte 2: http://www.news-medical.net/news/20101216/4766/Portuguese.aspx?page=2 

Descoberta alteração genética relacionada aos casos de Síndrome de Kabuki

A síndrome é uma desordem congênita rara e as crianças que nascem com essa condição, geralmente, têm particularidades faciais


Foto: Divulgação/UW
O autor sênior doutor Jay Shendure, professor adjunto de ciências do genoma da UW  Crianças com síndrome de Kabuki: olhos alongados e sobrancelhas arqueadas, semelhante a maquiagem dos atores de Kabuki-up, uma performance teatral japonesa
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O autor sênior doutor Jay Shendure, professor adjunto de ciências do genoma da UW
Utilizando uma nova, rápida e barata estratégia de sequenciamento do DNA, pesquisadores da Universidade de Washington (UW), em Seattle, descobriram uma alteração genética que pode explicar a maioria dos casos de Síndrome de Kabuki.
A síndrome de Kabuki é uma desordem congênita rara. As crianças que nascem com essa condição, geralmente, têm particularidades faciais, como olhos alongados e sobrancelhas arqueadas, semelhante a maquiagem dos atores de Kabuki-up, uma performance teatral japonesa. A síndrome é caracterizada também por uma série, de leve a moderada, de dificuldades intelectuais e problemas físicos, tais como coração, malformações ósseas e renais.
Os pesquisadores estudaram amostras genéticas de 10 crianças não relacionadas com diagnóstico de síndrome. Eles começaram o sequenciamento apenas pelo exome (formado por exons, parte codificadora de um gene, que compõem apenas cerca de 1% a 2% do genoma humano) para tentar localizar as alterações genéticas que poderiam estar associados com a síndrome de Kabuki.
"É claro que a segunda geração de tecnologias de sequenciamento de DNA é uma ferramenta poderosa e eficaz que os cientistas podem usar para acelerar a descoberta de genes para doenças raras, um esforço que antes era lento e caro", disse o Eric D. Green, diretor do Instituto Nacional de Investigação do Genoma Humano. "A nova capacidade de encontrar rapidamente os genes que causam mais de seis mil doenças raras é um passo importante para os pesquisadores que estão tentando compreender a biologia dessas condições e, assim, melhorarem as estratégias de atendimento aos pacientes que elas afetam".
O estudo relatou que foram identificadas mutações no gene MLL2 como uma causa da síndrome de Kabuki. Os detalhes de como este gene funciona ainda são um enigma, há indícios de que sejam um dos reguladores do desenvolvimento embrionário nos mamíferos. O MLL2 produz uma enzima que faz parte de uma complexa rede de controle, que determina se, e quando, certos genes serão ativados nas células do embrião em crescimento.
"O tipo de proteína acabou por ser surpreendente", disse o autor sênior doutor Jay Shendure, professor adjunto de ciências do genoma da UW. "Os resultados também sugerem que os eventos de programação epigenética determinam como seu calendário pode desempenhar um papel nesta desordem, que é certamente um indício para uma investigação mais aprofundada sobre como as mutações neste gene alteram sua função."
A síndrome de Kabuki tem uma incidência estimada de um em cada 32 mil indivíduos e cerca de 400 casos foram relatados em todo o mundo. A síndrome foi descrita pela primeira vez por cientistas japoneses em 1981, incluindo o geneticista Norio Niikawa, que também é um dos pesquisadores seniores do relatório sobre as mutações MLL2 ligadas à desordem. A doença não é exclusiva de pessoas de descendência asiática, afeta pessoas de outras origens geográficas também. Neste estudo, sete das crianças afetadas eram de ascendência europeia, duas eram latino-americanos e uma era de ascendência europeia haitiano misto.
"A descoberta das mutações no MLL2 é um passo importante na compreensão das origens da síndrome de Kabuki e deve facilitar os testes de diagnóstico", disse Michael Bamshad, professor de pediatria na Divisão de Genética e Desenvolvimento da UW e outro pesquisador do estudo. "Mas o mais importante, ele agora nos dá a oportunidade de estudar um mecanismo que está subjacente a síndrome de Kabuki para avaliar potenciais agentes terapêuticos".
Para alcançar os resultados
Os resultados levaram os pesquisadores a supor que as variações em qualquer um dos vários genes poderiam ser a causa. Então, eles olharam para novas variantes nos genes compartilhados entre os subconjuntos dos 10 exomes. Por exemplo, novas variantes foram divididas em três genes em exomes de nove pacientes, seis genes compartilhados em pelo menos oito exomes e 16 genes partilhados entre sete exomes.
Os pesquisadores classificaram cada caso de Síndrome de Kabuki com base em uma avaliação subjetiva do grau em que a criança tinha as características faciais distintivas e se os pacientes tinham atrasos de desenvolvimento ou malformações físicas.
Os resultados foram validados através de métodos Sanger aplicados a sequência de porções de proteína codificante do gene MLL2 de 43 casos de síndrome de Kabuki adicionais. Variações em MLL2 foram encontradas em 26 dos 43 casos. No final, um total de 33 mutações distintas no gene MLL2 foram encontrados em 35 dos 53, ou seja, 66% das famílias com a síndrome de Kabuki.
"Nossos resultados sugerem que alterações no gene MLL2 são a principal causa da síndrome de Kabuki", disse Shendure. "Além disso, é claro que pode haver outros genes que causam a síndrome. Para descobri-los, será importante para a sequência de exomes adicionais, caracterizando os casos de síndrome de Kabuki em que as mutações MLL2 não estão presentes".

Fonte: http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/10155/ciencia-e-tecnologia/descoberta-alteracao-genetica-relacionada-aos-casos-de-sindrome-de-kabuki

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Portugueses identificam gene ligado ao desenvolvimento de tumores

Gene "Viriato" está implicado no crescimento celular descontrolado.

Cientistas do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) do Porto identificaram o gene “Viriato”, que controla a proliferação das células e poderá desempenhar um papel no desenvolvimento de tumores.

“Graças à sequenciação do genoma nós conseguimos acelerar o processo de identificação de genes importantes para o crescimento celular”, disse à Renascença Paulo Pereira, coordenador da pesquisa.


O cientista explica que falta agora passar da investigação na mosca-da-fruta para os tecidos humanos.

“A próxima etapa é estabelecermos colaboração com grupos que olham para aquilo que acontece em células humanas e sermos capazes de estudar qual é a função do «Viriato» em células humanas”.

O trabalho vai agora ser divulgado numa revista da especialidade enquanto se procuram parcerias entre os cientistas portugueses.

Uma delas poderá vir a ser com a Fundação Champalimaud, onde começou esta sexta-feira um simpósio internacional para debater os avanços na terapia do cancro.

Um dos investigadores do centro, Raghu Kalluri, diz que, embora sejam cada vez maiores os avanços para controlar o cancro, a ciência aposta, sobretudo, em formas de evitar a doença.


Fonte: http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=97&did=137608